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Mais que Robôs: Como a FIRST LEGO League Constrói o Futuro dos Alunos

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Participar de uma equipe de robótica educacional da FIRST LEGO League Challenge, especificamente da Lego Masters, é muito mais do que montar robôs ou competir em um torneio. É vivenciar um projeto completo, colaborativo e transformador, no qual cada integrante selecionado para o time descobre novas habilidades, aprimora suas atitudes, adquire novos conhecimentos, supera desafios e percebe que pode impactar o mundo real com ideias criativas através de 4 áreas fundamentais:

  • Projeto de Inovação: Desde o início da temporada, a equipe aprende a pesquisar além do computador, realizando visitas, entrevistas e conversas com especialistas para encontrar problemas reais e propor soluções inovadoras, verificando a sua viabilidade de implementação. Com os compartilhamentos através de protótipos e a busca pela melhoria contínua, aprendemos também a defender nossas ideias com bons argumentos, a falar em público, a dramatizar, a enxergar as situações por diferentes perspectivas e a reaproveitar o que já existe. Nas duas últimas temporadas, a Marinha e arqueólogos validaram as nossas soluções, mostrando que o que fazemos dentro das aulas tem valor lá fora e pode ajudar o mundo.
  • Design do Robô: A equipe trabalha junta para criar um robô e acessórios eficientes, explorando conceitos de engenharia, sensores e motores, além de compreender leis da física e utilizar ferramentas e aplicativos diversos.
  • Desempenho do Robô: Tudo isso é aplicado nas missões temáticas que a equipe escolhe resolver, unindo o que foi construído à programação desenvolvida. Desde o início da nossa participação, já ficamos bem próximos do Top 10, o que nos deixa muito orgulhosos do nosso aprendizado e crescimento.
  • Core Values: A equipe precisa aplicar os valores fundamentais do projeto, que são: Descoberta, Inclusão, Trabalho em Equipe, Inovação, Impacto e Diversão.

Impacto no Dia a Dia e Habilidades Acadêmicas

Além de equilibrar a robótica com outras atividades dentro e fora da escola, a experiência acaba ajudando em várias matérias e projetos, pois desenvolve o pensamento crítico, a criatividade, a organização e uma forma mais sistematizada de resolver problemas.

Alguns exemplos disso são a nossa indicação de estudo de meio para todos os alunos do G4 — após visitarmos um museu para o Projeto de Inovação —, a parceria para desenvolver os projetos da PYP Exhibition e a mudança visível de comportamento de um aluno, fortemente ligada à sua participação no grupo.

A Intensidade do Processo e o Trabalho de Equipe

O processo é intenso e envolve desenvolver várias habilidades ao mesmo tempo, como pensar como engenheiro, programador, cientista e designer. Os alunos aprendem a trabalhar com diferentes mídias e materiais, a conhecer e aplicar metodologias, a buscar boas fontes e a fazer um uso crítico das tecnologias, testando, errando, melhorando e tentando de novo. Aprendemos a organizar e dividir tarefas, gerenciar prazos, planejar, definir estratégias e até a lidar com recursos da equipe, como arrecadar dinheiro, administrar gastos e mobilizar a escola. Contamos, por exemplo, com a participação de mentores internos e externos que nos ajudaram a realizar todo o trabalho.

Também é um ambiente onde cada membro é ouvido e respeitado, encontrando um lugar seguro para ser quem é e contribuindo com suas características únicas. Não existem funções fixas: há rodízio, colaboração e todos têm a chance de experimentar tudo. Assim, aprendemos a abrir mão de ideias, lidar com limitações, pensar coletivamente, reconhecer nossas fraquezas e transformar erros em novas oportunidades.

Cooperação e Cidadania

A convivência com outras equipes também faz parte dessa jornada. Compartilhamos ideias, trocamos experiências, recebemos feedbacks e aprendemos a competir de maneira saudável — buscando muito mais superar a nós mesmos do que vencer os outros. Celebramos as pequenas conquistas, enfrentamos os erros como aprendizado e fortalecemos os valores do projeto através do respeito, da cooperação, da solidariedade e da alegria.

Alguns exemplos práticos disso são a doação de peças que realizamos, o apoio aos alunos que iniciaram recentemente na robótica, a campanha de arrecadação de tampas de garrafa e a história em quadrinhos que criamos para difundir o tema da arqueologia. E, claro, não faltam os momentos de diversão, como o grito de guerra, as dinâmicas, o trabalho com LEGO, a construção da identidade e do tema da equipe, além do próprio ambiente em si.

O Papel do Técnico

Tudo isso é facilitado pela figura do técnico, que atua como um guia. É alguém que vai motivar o grupo e conduzir os processos dando o máximo de autonomia possível para que os alunos sejam os protagonistas, criando tecnologia e não somente a consumindo. Nas duas últimas temporadas, tive a honra de ser indicado para o Prêmio Técnico Destaque, ficando entre os 5 finalistas. Na busca constante de aprimoramento e movido pela paixão que esse programa despertou, tive a oportunidade de atuar como voluntário e juiz em um torneio em Windisch, na Suíça, durante as férias de janeiro deste ano.

Muito Mais que um Passatempo: Um Propósito de Futuro

Participar da FIRST LEGO League Challenge não é um passatempo: é um projeto sério, desafiador, apaixonante e extremamente divertido. Ele requer uma estruturação integrada para que possa atingir o seu potencial completo, o que passa pela disponibilidade de recursos, especialmente de tempo para desenvolver as atividades.

A recompensa não está somente em participar de um evento ao final da temporada para fechar o ciclo e, talvez, sair de lá com algum tipo de reconhecimento físico. Ela está muito mais em fazer algo juntos, criar amizades, ver a evolução de cada um, inspirar outras pessoas e perceber que aquilo que começamos como um pequeno projeto escolar pode se transformar em futuro, profissão ou propósito.

Alguns exemplos são o acesso facilitado a universidades devido à conquista de medalhas, a escolha de uma carreira em uma das áreas relacionadas devido à exposição ao projeto ou algo mais imediato, como expandir os conhecimentos e melhorar os resultados em avaliações escolares por ter trabalhado com os mesmos conteúdos.

Além disso, todo esse contexto da FIRST LEGO League Challenge, que é alinhado à BNCC Computação e ao currículo de STEAM desenvolvido e implementado pela nossa escola, pode inspirar a comunidade interna e externa. Isso traz visibilidade local e global antes e durante os eventos, evidenciando a posição da nossa instituição como um lugar de inovação e com mentalidade internacional. O feedback positivo dos pais e alunos em relação aos benefícios de fazer parte disso, somado ao encontro com equipes de escolas semelhantes nos eventos, nos aponta que estamos na direção certa, com muito espaço para crescimento.

No fim, o projeto nos ensina a sermos persistentes, criativos e colaborativos. Ensina a pensar fora da caixa, a compartilhar, a ouvir, a melhorar continuamente e a dar sempre o nosso melhor. Participar de uma equipe é descobrir que, quando trabalhamos unidos, conseguimos ir muito mais longe do que imaginávamos.

Autor

Fabricio Laurenti

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Fabricio Laurenti atua na área de EdTech (Tecnologia Educacional) há mais de 20 anos e é apaixonado por robótica e educação STEAM. Como Líder de STEAM para o Ensino Fundamental I (Primary), ele projetou e implementou um currículo que se estende tanto pelas Unidades de Investigação quanto pelos programas extracurriculares, proporcionando aos alunos desafios autênticos do mundo real que os incentivam a pensar como engenheiros, cientistas, designers e inovadores.
Com pós-graduação em Educação 5.0, Fabricio acredita no poder das equipes de competição colaborativa como um veículo para a aprendizagem significativa, onde a verdadeira medida do sucesso não é vencer, mas sim o crescimento. Por meio de projetos práticos e experiências de aprendizagem autênticas, ele promove o pensamento crítico, a criatividade, a resolução de problemas, a resiliência, o trabalho em equipe, a confiança, a inclusão e o protagonismo do aluno.
Ele está empenhado em criar ambientes onde cada estudante se sinta ouvido, valorizado e capacitado a contribuir. Fabricio acredita que essas experiências podem ser um divisor de águas na vida acadêmica e pessoal dos alunos, inspirando-os a se tornarem criadores, inovadores e eternos aprendizes.

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