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Desafio da Continuidade no Aprendizado Musical: Um Apelo à Reflexão

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Como professor de música, é uma realidade comum ouvir das famílias que seus filhos perderam o interesse pela música e desistiram de aprender a tocar um instrumento. Esse abandono precoce é motivado por vários fatores, mas às vezes encontra suas raízes na falta de interesse da própria família no universo musical.

A música, apesar de ser uma linguagem fascinante e enriquecedora, enfrenta, infelizmente, um desafio considerável no mundo atual: a crescente limitação de acesso a esse universo, que, ao contrário do que se poderia presumir, não é tão universal quanto gostaríamos, restringindo-se a um número cada vez menor de pessoas.

O aprendizado musical traz consigo uma série de benefícios para o desenvolvimento humano, que vão muito além da capacidade de tocar uma melodia. A música estimula a criatividade, disciplina, concentração e autoestima. Além disso, proporciona uma forma única de expressão que pode trazer satisfação pessoal e um profundo senso de realização.

Quando digo que a falta de interesse muitas vezes tem origem na família, meu objetivo não é julgar, mas sim destacar que a música, infelizmente, não ocupa mais um espaço significativo nos lares. Se compreendermos a música como uma linguagem capaz de uma comunicação eficaz, capaz de expressar e evocar diferentes sentimentos simultaneamente, entenderemos que, para manter uma linguagem viva, ela precisa ser vivenciada e praticada.

Nesse contexto, gostaria de compartilhar uma experiência valiosa para ilustrar a importância da família no desenvolvimento da linguagem musical das crianças. O violinista e professor Shinichi Suzuki, nascido no Japão em 1898, desenvolveu uma filosofia de ensino de violino que mais tarde foi aplicada a vários instrumentos, sendo amplamente reconhecida internacionalmente. Sua abordagem baseava-se na observação de que as crianças aprendem naturalmente sua língua materna ouvindo e imitando os sons ao seu redor, a partir dessa ideia, ele aplicou esse princípio ao ensino de música.

Sua filosofia, ou Método Suzuki, como vários professores o chamam, enfatiza a importância de iniciar a educação musical desde cedo. Além disso, destaca que a repetição e a prática regular são fundamentais para a melhoria da técnica e expressão musical. Uma característica distintiva desse método é o envolvimento ativo dos pais, que desempenham um papel essencial participando das aulas, auxiliando na prática em casa e criando um ambiente de apoio para o aprendizado musical. Mais do que apenas estar presente, os pais também aprendem a tocar o instrumento junto com seus filhos.

Assim como aprendemos uma língua por imersão, a música também segue esse princípio. Ela é assimilada por meio da prática e do uso contínuo. Embora criar um ambiente musical possa ser um desafio, é uma reflexão relevante sobre como podemos aprimorar nossas práticas para tornar a música uma linguagem mais presente e vívida na vida das crianças, para que possam vivenciar e se encantar por essa linguagem.

Em um mundo onde a música pode ser uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento integral das crianças, a abordagem de Shinichi Suzuki nos lembra da importância de introduzir essa linguagem universal em nossos lares e ambientes educacionais. Por meio do envolvimento ativo dos pais, da aprendizagem por imersão e da prática constante, podemos despertar o interesse das crianças pela música desde tenra idade. Ao fazer isso, não apenas cultivamos músicos talentosos, mas também enriquecemos suas vidas com uma forma única e preciosa de expressão. Através da música, estamos proporcionando às futuras gerações uma linguagem de beleza e significado, capaz de transcender barreiras culturais e, assim, contribuir para a continuidade desse valioso legado em nosso mundo.

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